in Memoriam dos cadernos de Anotar a vida
Vou tentar ser rápida. Sei que quase ninguém lê testamentos, a não ser que sejam realmente testamentos em que os mortos deixam muitos bens, muitas roullotes na Costa da Caparica.
Finjo que esta é uma incursão tímida, como se não tivesse um bicho que me corroi por dentro e volta e meia dá um ar da sua graça.
Como se tudo isto não fosse uma enventualidade desgraçada.
Finjo que esta é uma incursão tímida, como se não tivesse um bicho que me corroi por dentro e volta e meia dá um ar da sua graça.
Como se tudo isto não fosse uma enventualidade desgraçada.
Os cadernos tornam-se cada vez mais cadernos. Escondo-me deles como se tivesse secado a fonte intimista das queixinhas que faço aqueles com nuvens e corações da Agatha Ruiz de La Prada e ultimamente a fingir que sou adulta ao Moleskine que deu muita “merda” a nomes sonantes da literatura como Chatwin e Hemingway.
Sinto-me outra, tão outra que estava quase capaz de me aventurar na poesia ‘non sense’.
Nela estendo fraldas à varanda e acho o acto parte integrante da poesia da vida. Envidraçada
Fónix, lá se foi de novo a timidez... e no meu caderninho onde vou vomitando umas notas sobre a vida, quebro com os arranjos gráficos da página.
Esta perda de tempo deixa-me doente....faço figas para que este não me escorra pelos dedos.
Às vezes, penso que poderia ganhar algum se investisse na literatura do sexo. Não teria coragem, sou muito pudica fora das quatro paredes que albergam as camas em que durmo. Saberia descrever as posições, os cheiros, os afectos?
Nem sequer consigo acabar os raciocínios. Como uma vez alguém observou muito bem, tenho a péssima mania de dar saltos lógicos nas conversas e deixar todos boquiabertos, não pela eloquência do que me sai boca fora, mas por terem princípio e não terem nem meio, nem fim.
Gosto da liberdade de escrever à mão. É um acto íntimo sem leitores ansiosos à espera, com as confissões de alcova que isso possa acarretar. Não tenho medo, nos meus caderninhos cheios de bonecos disformes, palavras riscadas e nódoas de vinho.
Agora em pleno campo de batalha lembro aquela frase do tempo do Jardim Escola: “quem vai à guerra dá e leva”. Em setenta e tal a guerra para mim era a padeira bigodaça de Aljubarrota com uma pá a dar coças monumentais nos desgraçados dos castelhanos. O meu avô contava, eu como criança crédula acreditava piamente.
Sabe-me bem esta merda de escrever sem compromissos.
Sinto-me outra, tão outra que estava quase capaz de me aventurar na poesia ‘non sense’.
Nela estendo fraldas à varanda e acho o acto parte integrante da poesia da vida. Envidraçada
Fónix, lá se foi de novo a timidez... e no meu caderninho onde vou vomitando umas notas sobre a vida, quebro com os arranjos gráficos da página.
Esta perda de tempo deixa-me doente....faço figas para que este não me escorra pelos dedos.
Às vezes, penso que poderia ganhar algum se investisse na literatura do sexo. Não teria coragem, sou muito pudica fora das quatro paredes que albergam as camas em que durmo. Saberia descrever as posições, os cheiros, os afectos?
Nem sequer consigo acabar os raciocínios. Como uma vez alguém observou muito bem, tenho a péssima mania de dar saltos lógicos nas conversas e deixar todos boquiabertos, não pela eloquência do que me sai boca fora, mas por terem princípio e não terem nem meio, nem fim.
Gosto da liberdade de escrever à mão. É um acto íntimo sem leitores ansiosos à espera, com as confissões de alcova que isso possa acarretar. Não tenho medo, nos meus caderninhos cheios de bonecos disformes, palavras riscadas e nódoas de vinho.
Agora em pleno campo de batalha lembro aquela frase do tempo do Jardim Escola: “quem vai à guerra dá e leva”. Em setenta e tal a guerra para mim era a padeira bigodaça de Aljubarrota com uma pá a dar coças monumentais nos desgraçados dos castelhanos. O meu avô contava, eu como criança crédula acreditava piamente.
Sabe-me bem esta merda de escrever sem compromissos.
Fónix...estava entalada, enlatada. Agora já não, porque confesso as entranhas nas catárticas tardes de epístolas de trazer por casa.
De repente, já raivosinha ignoro os tons linguísticos e as vossas regras literárias. Fónix para a literatura. Mas escuso de me por aqui com palavrões velados, porque até saltei do caderninho e ninguém tem que aturar as minhas malcriações.
Até porque os cadernos que me acompanharam a vida inteira já não são o suficiente. Parecem diários doentes da triste viuvinha. Já não me fico só pelos cadernos onde minto que ando no rasto de coisas importantes, quando não ando no rasto de coisa nenhuma.
Ou então enveredo pela verdade. Que escrevo para me purificar, para não discutir com as pessoas, para não morrer de tédio. E, que me estou completamente nas tintas para que o que digo não valha absolutamente nada.
De repente, já raivosinha ignoro os tons linguísticos e as vossas regras literárias. Fónix para a literatura. Mas escuso de me por aqui com palavrões velados, porque até saltei do caderninho e ninguém tem que aturar as minhas malcriações.
Até porque os cadernos que me acompanharam a vida inteira já não são o suficiente. Parecem diários doentes da triste viuvinha. Já não me fico só pelos cadernos onde minto que ando no rasto de coisas importantes, quando não ando no rasto de coisa nenhuma.
Ou então enveredo pela verdade. Que escrevo para me purificar, para não discutir com as pessoas, para não morrer de tédio. E, que me estou completamente nas tintas para que o que digo não valha absolutamente nada.
Este período anterior é uma mentira vergonhosa, mas com aspirações literárias. Então finjo que sou muito, muito boazinha e ofereço-me para ajudar o mundo a descodificar o Incrível Hulk. Parece bruxedo toca no rádio o "Changes" do Bowie. Deus afinal não anda nada a dormir.
1 Comments:
Não conhecia...
Surpreende, pelas ideias, pela simplicidade, pela riqueza literária.
Uma pagina a consultar e aconselhar.
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