quinta-feira, março 02, 2006

Junk life

A Internet é uma janela aberta para o mundo. Uso e abuso do cliché porque não saberia dizê-lo de outra maneira.
Através da rede, bisneta da aldeia global do McLuhan temos acessos vários, a vários mundos também. E basta um clique para que, enquanto o diabo esfrega um olho, passemos do Cristão para o Islão.
As cartas que escrevemos deixaram de ser do tamanho das epístolas de São Paulo aos Coríntios (ou a outro povo qualquer), e o velho marco do correio deixou de fazer parte da vida da maioria das pessoas. Excluem-se os velhinhos entre outros puristas, que gostam de escrever à mão, de lamber o selo e fechar o envelope.
Se por um lado, temos falta de tempo para toda essa ‘mise-en-scéne’, do papel de carta às florinhas, do envelope perfumado, do lacre e do acto de po-la no correio, vêm atracadas às novas tecnologias as cartas ‘spam’ e as cartas ‘junk’, de anónimos que teimam em meterem-se nas nossas vidas. E se os deixarmos espraiarem-se, alargam-na também. Mesmo que não haja nada, MESMO, nada, para que levem tal tarefa a bom porto.

Bem sei que sábio, o povo diz: “Mulher séria não tem ouvidos”, mas lá olhinhos tem, e mais grave ainda, consegue descortinar umas merdas na língua de Shakespeare. Engraçadíssimas e para “inglês ver”, as cartas que se alojam no compartimento spam e junk do meu email fazem umas sugestões e convites que vão do obsceno ao ridículo. Vêm com brindes vários: feromonas, viagra e métodos ancestrais de “enlarge”.
Hoje tinha lá mais uma, cujo assunto era “Have You Ever Tried Pheromone ?”
Outras vezes vão mais longe e querem “enlarge my penis”.
Ora isto é uma grande chatice, porque não tenho nenhum pénis. Não tenho, e, sinceramente não tenho inveja de quem traz um consigo.
Creio que a Clara Ferreira Alves queixou-se, há uns tempos, na sua “Pluma Caprichosa” do mesmo problema. Também ela, figura pública, estava a sentir-se invadida por esse louco ‘team’ do enlarge. Será que estes tipos não têm mais nada para fazer na vida, do que pensarem em enlarge os penis das pessoas?
É não via praga assim desde o tempo do Herbalife.
Acho incrível como é que se melgam no nosso ‘ciber’ apartado com este género de abordagens, quando nem sequer sabemos se estas cartinhas vêm com doenças infecto-contagiosas, sífilis e o raio!
Não há direito, e, além disso uma fêmea mais distraída, poderá pensar, a páginas tantas, “Terei cara de transexual?"
(o que sinceramente não contribuirá grande coisa para sua auto estima)

Considerações e apartes:

Estes Jimmi, Nikki “little Penis” que mandam os emails em questão, deviam ter em atenção o “gender” da pessoa para que se evitasse a confusão, em que olhamos de esguelha para umbigo e pensamos onde raio é que se meteu o dito cujo?.
Já não basta o mundo castrar-nos logo à nascença, só porque não temos pilinha.
Não são as meninas, mal confrontadas com a sua sexualidade que perguntam aflitas às suas mães porque é que têm uma rachinha, em vez de uma pilinha ?
Quer dizer, nos anos e anos a fio seguintes tentaram convencer-nos que afinal até somos as parideiras da humanidade para vir depois um Joe qualquer que não conhecemos de parte alguma, meter-nos o dedo na ferida!
Dá vontade de lhes responder :
My sexuality does not need any ‘enlarge’, by the way, why don’t you enlarge yours, and get a life?