quinta-feira, dezembro 29, 2005

Gimmi 5

Acabo de descobrir que tenho amigos que são amigos de amigos meus. Outros que são amigos de figuras proeminentes do nosso ‘pseudo’ Jet-set como é o caso daquela já Balzaquiana (qualquer dia sou eu!) C. Jardim que, volta e meia, aparece na Televisão em programas de grande nível intelectual.

Esta coisa do Hi 5 é altamente bisbilhoteira, mas justiça lhe seja feita que com este programa podemos realmente (re)encontrar velhos conhecidos.
Na melhor das hipóteses com uma ‘homepage’ a abarrotar de fotografias. Confesso que também já fiz o gosto ao dedo e já mandei para lá umas com definição péssima do meu telemóvel, mas nada que me desnude muito.

Nestes dois dias de análise já vi 'polaroids' de rapazes bem giros, em tronco nu, umas quantas Lolitas, o Tom Sawyer, a Abelha Maya, a Paxi, a Heidi e o Dartacão.

Outra particularidade deste espaço, é que por menos intimidade que se tenha com este ou aquele, na rede passamos ser amigos uns dos outros. Chocolate solúvel já tinha visto, agora Amizade instantânea é a primeira vez...
Sou, no entanto, a primeira a dar a mão à palmatória, no Hi 5 já tive o prazer de voltar a encontrar várias (mesmo muitas) caras conhecidas da faculdade, um amigo cujo paradeiro tinha perdido, o meu primeiro namorado, as minhas priminhas do Baleal, a Sharon, uma bifa com quem partilhei um autocarro cheio de contrabandistas do Laos para o Vietname, entre outras pessoas importantíssimas cujo nome não vou revelar, porque não estou para apanhar com um processo por invasão de privacidade.
De qualquer forma, estar no Hi 5 é quase como estar a fazer um estágio não remunerado para figura pública. Ontem à noite no Incógnito conheci uma peça chave (não que me interessasse muito) do processo Casa Pia...
Será já uma consequência do meu Hi 5, ainda com meia dúzia de visitas?
We never know...

Ainda assim recomendo vivamente a cadastrados, tímidos e a pessoas dependentes que se virem uma mensagem Hi 5 no vosso email, respirem fundo e passem à mensagem seguinte. É que uma vez na rede, fica-se encurralado.
Eu por exemplo estou prestes a tornar-me um Hikikomori do Hi 5!
See you! My Dear Future Friend!

terça-feira, dezembro 27, 2005

Nota Oficial

Depois de alguns dias (nós trabalhamos no Natal) em reuniões infindáveis sobre o que fazer com este buraco mental interactivo, decidimos por via democrática, que a par da Boémia, a ruiva Jessica, personagem virtual que devia ser presa por ter plagiado o nome da mulher do conhecido actor de Banda Desenhada Roger Rabbit ainda poderá vir a dar cartas.

Na pior das hipóteses transformamo-la em 'couprier' de um casino qualquer, perto da casa dela. Agora de repente ela até está meia indecisa entre o da Figueira e da Póvoa do Varzim. Mas isso são só miudezas!
Se por um lado, assinou um contrato em que concordava cortar com as amarras das expectativas que eventualmente poderão vir agarradas às suas saias, a facção mais conservadora da sua omoplata direita premiou-a na sua mão esquerda escriba com um corno sebáceo, não operável, que é para não ser parva!

(Chorou baba e ranho no dia de Natal, porque além de ter recebido uns presentes de merda, o avô, que anda metido nuns cursos de informática e a persegui-la obsessivamente, admoestou-a por expor-se “on line” daquela maneira indecente.

Ela ainda tentou retorquir-lhe qualquer coisa sobre “liberdade de expressão”, mas o avô franziu as sobrancelhas arroxeadas e gritou-lhe estava era a referir-se ao decote do vestido que Ela, envergava no dia em que quis dar e deu: o famoso grito do Ipiranga.
Depois de estar umas três horas a ouvir impropérios da mulher do avô, que por acaso não é, nem nunca foi, sua avó, Jessica telefonou à sua dactilógrafa oficial, que por acaso sou eu, para REDIGIR esta nota oficial:


Eu, Jessica Rabbit , irei por aí fora nas cearas da vida, com as fatiotas e penteados espampanantes que me apetecer.
Criarei os estados de alma ao sabor do vento e das intempéries nem que para isso tenha que pedir um atestado de insanidade mental!


Agora, azar...porque com os maluquinhos não se brinca!


Este aparte não estava incluído, na nota oficial, é mais nota de rodapé de dactilógrafa solidária cujo sonho é ter um blog e não sabe como se faz! Gostei deste bocadinho...bem hajam!
Ass: Dactilógrafa

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Mary, Mary Christmas....

Regresso à minha barraca do campo......
onde
passei a minha infância,

Lá obrigo-me a ser criança
vou subir às árvores, jogar às escondidas, reler os livros da Enid Blyton e deixo que os meus pais continuem a achar que sou uma "menina exemplar" dos livros da Condessa de Ségur...
afinal é Natal....e até o baby Jesus que já morreu há mais de 2000 anos volta a ser criança...

apanhem 'good waves' cibernéticas e sintam-se em casa ....
Mary Christmas

Assim não falava Zaratrusta

Serei uma ferida exposta?
temo bem que sim. Estupidamente exposta!
irremediavelmente susceptível.

Esta quadra não ajuda nada.
Corremos para os nossos núcleos familiares, sorrimos na fase em que as crianças abrem os presentes.

A maioria das pessoas esquece as suas diferenças (só) nesta altura do ano. E nem sequer se percebe porquê, porque no dia seguinte lhes passa este Alzheimer que se manifesta de forma sazonal.
Trinchar o peru recheado é muito mais importante do que a (re)conciliação.
De preferência caladinhos a comer de boquinha fechada. Se a boca, por acaso, foge para a política será peixeirada geral, e, nem o bacalhau debaixo da couve portuguesa se safa.

Como nesta ‘campanha natalícia’ também não quero fazer ataques pessoais a ninguém, para seguir o exemplo daquele cristão de Boliqueime reduzo-me ao cantão de espaço que me coube para fazer as minhas primeiras considerações sobre aquilo que poderá ser o Natal 2005.

Com toda esta cultura messiânica à volta das presidenciais ainda não se sabe bem quem é que na noite de 24 para 25 aparecerá “nas palhinhas deitado” ?

(eu não sei)

Poderá ser o Bandarra a recitar as suas profecias nas casas de todos os nacionalistas portugueses que aspiram (numa segunda vaga, a primeira foi em 1640) libertar-se do jugo de Espanha (que está cá em força nos 40 mil negócios bem sucedidos e sucedâneos da pioneira Zara) interpretando as trovas do sapateiro de Trancoso como uma profecia do regresso de D. Sebastião.
Ou próprio D. Sebastião vestido de Manuel João Vieira, (para os mais distraídos o Manel é um catita de um Enapá 2000 e não sei se desta vez é candidato, depois de em 2001 o Tribunal Constitucional não lhe ter reconhecido as suas suadas 7500 assinaturas)

Ainda a querer deitar-se nas palhinhas andam:

Qualquer um dos Cinco Candidatos Oficiais, mesmo que a maioria deles envergue a sua laicidade está perfeitamente convencido de que será o salvador da pátria.

Consoante a idade e ficha clínica de quem aparecer para protagonizar o nosso “baby Jesus” é bom que o INEM esteja de sobreaviso e além de facultar ambulâncias amarelas, arranje também um padre para dar a extrema unção aos que dela precisarem, porque aos olhos de Deus todos somos Seus filhos. Laicos e tudo!

Enquanto isso na manjedoura, não há baixas. Estarão lá como é de convir os que “comem tudo e não deixam nada”.....

Por último nesta noite fria de Dezembro ficámos a saber:

Que o Candidato menos novo confunde Buzinão, com “Vozeirão”, que acha que o outro senhor algarvio “não toca piano, nem fala francês. (Isto pelo menos na óptica do comentador político, isentíssimo Fernando Rosas.)
Mesmo com ar de avôzinho amoroso, o Sr. esteve ao ataque, para que não restem dúvidas que a sua próstata intelectual e política está boa e recomenda-se.
Contudo a suasimpática boca , talvez atrofiada pelas suas bochechas egocêntricas, esqueceu-se de apresentar as suas propostas de campanha e por isso confessou que gostava de passar o resto do ano em debates com os seus adversários. O que vale é faltam Só 9 dias para o fim do ano.


Que ao Cristão do Algarve ninguém lhe deve ter explicado que por mais presidência aberta que ele esteja a pensar fazer, esse cargo não é a mesma coisa do que estar à frente de uma legislatura, e que se for eleito Presidente da República, não poderá acumular funções por mais que gostasse de voltar a ser Primeiro Ministro.
Até porque o país está servido de auto-estradas.
Mais uma achega, mesmo que ele peça ao Pai Natal de presente uns super poderes, e o dito barbaças mude a constituição da República portuguesa para o fazer feliz,
(os outros são de esquerda e não acreditam em milagres)
vejamos o exemplo de Christopher Reeve,
como sou muito beata é melhor não pôr mais na carta.

Sarcasmos à parte, o actor norte-americano fez pelo menos 4 filmes do Super homem.
E está à vista meus queridos candidatos, até pode vir o Bandarra com as profecias messiânicas, agora o planeta Krypton,
Por amor de Deus,
O Planeta Krypton só existe nos armazéns de Hollywood.

terça-feira, dezembro 20, 2005

Música Intransmissível

Há coisas que descubro depois de já estarem gastas e usadas pelo resto do mundo.
Nas últimas semanas uso a Internet desenfreadamente como se fosse um escape para colmatar os vazios deixados pelas ratoeiras da vida.
Eu que andei estes anos todos a dizer que dificilmente me deslumbraria com o que quer que fosse. Dou a mão à palmatória e consinto rendida que o “Emule” trouxe aos meus ouvidos uma Primavera musical.
Saco as músicas que sempre quis ouvir. Vou aos confins da memória e lá estão velhas histórias que se agarram como lapas às músicas .
Este prazer adolescente faz-me sorrir. Salto entre músicas de Filmes do Almodóvar e do Kusturika, entre risos e choros, porque sou uma mariquinhas de merda.
Se oiço a voz rouca da Luz Casal a cantar o “piensa en mi”, fico arrepiada com nós da garganta ao estômago. E às tantas sou responsável pela dor que carrego! Fui eu que a pedi. Carrego num botão e crio um estado de alma. Entro naquele mundo pegajoso feito de chocolate.

Vi pela primeira vez os “Tacones Lejanos” em Punta Skala, uma pequena aldeia da Croácia com pés de molho no Adriático, que banha a Dalmatia, (que deve ser a terra originária dos dálmatas). As legendas eram na língua da Hrvatska, e isso até injectou um certo exotismo balcânico no filme.
Fiquei num apartamento a três minutos de um braço de água onde nadava compulsivamente, ao lado da cave onde os meus senhorios: Marja, mãe de Klara e avó de Nikki e Théa dormia com Andrea, seu companheiro e restante prole.
Fiz essa viagem sozinha. Não tão sozinha, levava o “Lonely Planet” debaixo do braço.
Acho que precisava de respirar fora dos conceitos urbanos e às vezes tão provincianos de Lisboa. Fugi com alguma leviandade. Porque além das imagens fugidias da guerra dos Balcãs e umas imagens magníficas do pavilhão da Croácia da Expo 98, pouco ou nada sabia daquele país meio encantado.
Fiz a viagem obrigatória às ilhas KORNATI . Sobre as ilhas George Bernard Shaw terá dito:

“On the last day of creation, God desired to crown his work, and thus created The Kornati Islands out of tears, stars and breath”.

Nesse dia fiquei sem fala ante a brutalidade de várias naturezas. Sobre essa paisagem árida, cor de canela, que são as Kornati, destacou-se um marinheiro croata agridoce que me convidou para ouvir fado. "Uma casa portuguesa" e "Coimbra do Choupal" podem parecer um bocado ‘korny’, mas na altura com as emoções florescer como ervas daninhas adoeci, senti-me febril.
Delirante queria agarrar-me às barbas do velho capitão que exibiam aquela coisa tão bem descrita pelo Miguel de Unamuno e que se chama “O sentido trágico da vida”.
O leão do mar de olhos verde, azul turquesa apropriou-se da minha alma para depois a retraçar em pedaços.
No meio das entranhas do Adriático o mar é tão transparente que parece feito de vidro, o velho do mar, para me seduzir, evoca Baudelaire e o Grito do Munch.
Pergunto-lhe pelo Kusturika. Enfurece-se e grita-me raivoso “esse tipo é um Chetnik extremista”
O raio do homem fez-me sofrer como raio, pela sua dor e pela minha. Exactamente o mesmo sofrimento que sinto, quando oiço a Luz Casal.
O barco onde nos cruzámos chamava-se TORNADO! O próximo, dizia, seria SAUDADE....
Tenho saudades tuas ilusionista do lado...

segunda-feira, dezembro 19, 2005

A ver passar navios

Hoje não consigo.

Teria que mentir, e, a verdade é que não me apetece fazê-lo.
Se fechar os olhos sou sugada por um universo que se derrete na boca como se fosse chocolate preto e quente.
É como se entrasse nos baixos relevos desenhados a giz pelo Bert no filme Mary Poppins, só que uma vez lá dentro estou rodeada pelos bonecos do "Estranho Mundo de Jack" do imaginário do Tim Burton, antes do pobre Jack descobrir a cidade do Natal.
não vou ser irónica, moralista ou carmelita descalça,
posta esta reflexão de cacáracá,
vou dormir um bocadinho, depois de passar pelo Jodorowsky que está de férias há umas boas semanas na mesa de cabeceira que coabita com as camas do meu quarto.

sexta-feira, dezembro 16, 2005

Um pedaço de mundinho Karen Blixen

Olho de lince

Faça um download de possidónio

UPGRADE : Ligação ao reino da possidónia


Por causa das carneiradas da linguagem resolvi aprofundar este capítulo tão interessante das palavras non gratas. Que mal pronunciadas já estão a catalogar as pessoas que as dizem: "moça", "indivíduo", "jeitoso" são alguns exemplos...

Mas há mais

E,

entro pelo mar a dentro, na modalidade de “mariposa” e faço aqui um rascunho para um ‘workshop’ no mínimo, sui generis.

Um “workshop” que desfizesse de vez uma série de confusões relativas aos vocábulos, comportamentos e atitudes que as pessoas têm (e devem) dominar se querem subir na vida, ascender de secretárias a tias.
Isto, com direito a um brinde para as primeiras 10 mulheres que tenham a coragem de se inscrever, antes das sete da manhã do dia de hoje . O brinde são as gavetas de baixo do quarto de vestir da “esposa” oficial , e se esta sofre de espondilose então a "outra" nem terá que dar-se ao trabalho de despejar as gavetas para arrumar a sua linda lingerie de amante.

Punha uma alínea a) meia prolixa, para impor respeito:

a)
se aspira a uma carreira de Tia(o) e tem medo de falhar,

leia os parágrafos seguintes


Para começar nunca, em tempo algum, diga esposa, “minha senhora”, então nem hablar...
Agora meus amores,
Quanto ao adjectivo da intimidade (Amore) fica ao critério de cada um, mas aquela história do “mor” e do “morzinho”, nem os freaks, que são completamente subversivos lhes pegam.
Pessoalmente dá-me vómitos e há coisas tão bonitas que se podem dizer...
Já que estamos numa divisória meia íntima das nossas vidas (refiro-me evidentemente à humanidade) queria frisar porque é que alguns facciosos defendem que se diz retrete e não sanita. É que sanita começou por ser uma marca de retretes (a sanitana) apesar de hoje ter uma honrosa entrada no dicionário. Pode dizer-se à vontade.
E se, se recusar a dizer, é o sinal que está amarrado de tal forma às carneiradas da linguagem que já não consegue deixar de dizer “carteira encarnada.”
Isto é, se não for filiado no partido comunista, ou no Benfica. Aí terá, com certeza, todo orgulho de encher a boca para dizer vermelho. Mas isso não abona muito a favor da “tiazice”, que me desculpem o Vilarinho e o Vale e Azevedo, mas os próprios benfiquistas reclamam a sua origem plebeia.

Não tenho nada contra, até lembra a Vóvó do lobo mau com sotaque brasileiro a dizer: “chapéuzinho vermelho, chapéuzinho vermelho, é você minha netinha?”

Se prenda antigamente queria dizer “conhecimento prático de certas actividades que formam a educação ” e ainda “dote”,
nos dias de hoje já pode considerar-se um “objecto que se dá como um brinde”. O que dá para concluir que os senhores catedráticos que fazem os dicionários estão-se nas tintas para estes códigos elitistas que impõem que se diga presente em vez de prenda quando trocamos umas merdas inúteis por altura dos anos e do Natal.
Ainda sem sair do quarto, não se vista com trapos complicados com muitas letras, que fazem publicidade a 30 marcas por cm 2.
Isso não mede o seu nível intelectual, mas talvez meça a sua conta bancária. Essas trapalhices são um desperdício, normalmente foram coisas manufacturadas em países do 3.º mundo com mão de obra infantil barata e se pudermos devemos evitar estar a alimentar esses vícios do capitalismo.
Além disso está frio e um sobretudo ‘tweed’ a tapar as misérias da vida fica sempre bem. Tente dizer “imenso”, “fantástico” e “fabuloso” pelo menos umas trinta vezes por dia. É que é chique!
Se for mulher o ‘social climbing’ está mais disseminado, por isso não se acanhe. No mínimo passa por cabeleireira.. mas há tantas que começaram pelo salão, a varrer cabelos

À luz dos candelabros (brinde do 24 Horas) já sentada à mesa, não se coíba de roer uns belos bocados de entrecosto à mão se lhe der mais jeito. É que até mostra que não é um escravo da etiqueta,
Agora, aquele tique do bracinho ao peito a dar lustro à toalha enquanto se come a sopa é que é de se evitar. É sempre bom que estas coisas se partilhem, em primeiro lugar porque a Paula Bobone não é uma pilha Duracell, em segundo porque há muito boa gente mesmo com os topos de gama e os quintais na Aroeira que acha que pode enfiar a serrilha da faca pela boca a dentro e isso não se faz.
A minha avó que era uma querida “muito chata” dizia que não se bebia água só de um trago. Mas, se, se tiver muita sede vamos estar a encenar a acção de beber em água em três actos?
Para quê?
Só se for para inglês ver...
Se pertence ao sexo oposto o upgrade faz-se nas calmas.
Finja que não se importa de sustentar a sua cara metade. Ser machista, dá sempre aquele ar ‘blasé’ de se que pertence a uma família antiga.
Ser ainda mais antiga que o próprio Condado Portucalense dá um jeitão enorme. Segue-se um momento de “lata" para pedir a um desgraçado com jeito para desenho que faça as armas da família.
Depois é só envergá-las num belo cachucho de ouro maciço. Nessa fase já não engana ninguém, e merece com distinção ser um deles. Se disser que estuda Heráldica “as a hobbie”, aí eles vão ficar verdes de inveja. Cheios de respeito!
Não se esqueça que tudo tem um preço. Se vende a alma só para lhe chamarem Sr doutor, mesmo sem licenciatura, terá que contar com a boa vontade dos seus pares.
Evite as camisas da Façonnable que o Herman usava nos anos 90, além de completamente ‘demodé’ engordam que se fartam. De qualquer maneira se nasceu com cara de labrego mesmo com um fato Hugo Boss há-de sempre ser um fatinho Maconde.

Como diz o ditado popular “quem nasceu para lagartixa nunca chega a jacaré!”

Mais uma vez recorrendo ao reino animal (que tanto nos elucida sobre nós próprios) este “workshop” é como a pescada, antes de ser, já o era!

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Com o Credo na boca

É incrível mas de repente parece que nada disto dará frutos. Isto é exactamente aquilo que não se partilha. A insegurança.
Passam a vida inteira a dizer-nos para nos pormos direitos, para olharmos em frente. Sempre em frente. É quase um sinónimo de demência ser-se nostálgico. Se tentamos ser educados, somos uns betinhos, se formos simpáticos uns cínicos do raio. É por isso que a maioria das vezes, além de marreca, sou uma malcriada, ao menos depois ninguém exige que seja coisas piores
Ser honesto parece que quer dizer parvo. Se dissermos: “Aquele tipo é honesto” - alguém retorna - “ É, mas é um grande parvo! podia ter comprado um iate se tivesse aceite as luvas do outro.”
Também há-de haver o cagão que dirá: “Dizer honesto, é horrível, diga sincero, menina”.
(Estas regras da linguagem da "carneirada" do que se deve e não se deve dizer, também são de um provincianismo atroz, mas adiante. )

Ser-se inteligente é aceitar luvas (nos tempos que correm, talvez sejam mitenes), entrar pela porta do cavalo nas festas, pedir ao porteiro da festa que omita a parte Silva, e nos apresente como um parente afastado do antigo monarca de Timbuktu.
Ser-se inteligente é ir mais de 29 vezes ao Brasil. Usar uma fitinha do Bonfim e achar que esta é um antivírus poderoso contra as patifarias que se andam a fazer, tais como: vender terrenos que não existem, aproveitar a boa fé dos velhinhos, roubar as esmolas dos outros usando-as em próprio benefício. Se continuasse com a lista não havia blog que chegasse.
Apesar de andar como as velhas com o Credo na boca, não hei-de ter medo. Era o que me faltava. Se fosse um bocadinho incomodativa até era bom, era sinal que não era tão transparente como me sinto. Além disso vivo no país da impunidade em que o diabo anda verdadeiramente à solta. E o pior é que ninguém o apanha!
“Não censures nada do que é humano; tudo é bom, embora não seja bom em todo o lado, nem sempre, nem para todos.”

Novalis (1772-1801)

sábado, dezembro 10, 2005

One more time We wanna celebrate!

Tenho saudades dos meus amigos. De todos eles. Até daqueles com quem falo todos os dias. Todos fazem falta, mesmo os que se esfumaram do meu espaço sideral e vivem hoje noutra dimensão cósmica.
Das meninas com quem fiz enterros de pintassilgos em caixas de sapato nos quintais da vida, aos rapazes com quem esfolei os joelhos nas rochas quando estava convencida que era uma pescadora profissional de cabozes e caranguejos na ilha da minha infância.
Havia uma fada madrinha que dava açúcar à minha mãe para ela alimentar as formigas. Acho que é por isso que tenho a sorte de ter uma progenitora doce a quem apetece sempre dar beijinhos, mesmo quando me zango com ela.
Sei que as pessoas normalmente tentam controlar os seus ataques de saudosismo porque o que se quer é andar para a frente, (aliás é isso que dá rendimento à malta)...

Mas, apesar dos meus esforços não consigo ignorar o lado nostálgico que me assiste e que faz de mim um tubérculo a grelar constantemente banquetes opíparos, onde os mortos e os vivos da minha vida, estamos todos sentados numa mesa comprida a perder de vista no meio do campo, ou talvez suspensos em pleno oceano. Nenhum em especial.
Rimos, comemos e bebemos como se fosse Natal.
Quem quis trouxe consigo os seus zombies e fantasmas de trazer por casa, e, coexistimos todos em perfeita sintonia. Mandam-se umas bocas, insuflam-se os fantasmas, os entes queridos, trocam-se experiências, contam-se histórias menos próprias sobre uns e outros com tal displicência que as crianças choram a rir sem saber porquê. O menino Jesus também lá está. Alguém o imaginou um rapazinho negro praí com uns nove anos, que para alegria de muitos, já transformou uns belos litros de água num tintol V.Q.P.R.D. 13,5 de grau.
Que o miúdo é bom, não há dúvida, o pior é se é só uma metáfora bíblica para “dar de beber à dor”.
Os mais moralistas dizem que um miúdo tão pequeno não devia mexer em bebidas alcoólicas, mas há 2 milénios que JC não é consensual. As minhas crianças como são diplomáticas iniciaram-no num ritual dos seus dias e é vê-lo, ao Baby Jesus todo contente, a jogar Playstation a ganhar mais umas quantas vidas. Quando tenho saudades dos meus amigos, vou buscá-los aos confins de mim mesma.
E como sou um tubérculo e filha da minha mãe, gostava de ser uma batata doce. Os restantes participantes podem escolher qualquer produto hortícola com o qual se identifiquem. Não deixem de ficar alerta porque além da geada das noites frias, há os roedores que sugam a alma aos vegetais. Aí não há fantasma que valha por isso o melhor é ficar alerta com juizinho e cabeça fresca.

quinta-feira, dezembro 08, 2005

comam galinha, enquanto podem

Ontem à noite num bar uma rapariga fez-me um bebida deliciosa.

Imagem: um copo em cone gigante cheio de gelo às bolinhas, com um líquido de cor quente a saber a hortelã pimenta.

Além de agradecer-lhe e pagar-lhe como convém, resolvi dizer-lhe que o líquido púrpura cheio de gelo triturado estava divinal. Ela fez uma cara de espanto por me ter dado ao trabalho de lhe ter dito tal coisa.
As pessoas ficam perplexas quando são elogiadas,
porque já não estão habituadas a elogiar os outros, e, em última instância auto elogiam-se quando vêem que não haverá a mínima possibilidade que haja alguém que o faça. O que se torna triste e ridículo. Pode atribuir-se a culpa aos publicitários do leite matinal, que há uns anos atrás inventaram a máxima: “Se não gostar de mim, quem gostará ?”
A partir daí, as pessoas ficaram tão ocupadas a afagarem os seus próprios egos que deixaram de ver o seu semelhante. Pelo menos com interesse sincero.
(estou a sentir-me o santo António a pregar aos peixes)

A falta de rendimento escolar e mais tarde a falta de rendimento dos trabalhadores nas empresas pode atribuir-se à inexistência de galvanização por parte dos seus superiores.
Eu, por exemplo, tive um director cujo bigode farfalhudo devia turvar-lhe a vista de tal maneira que a criatura (nem categoria tem para animal) além de rebaixar os seus subalternos, não tinha qualquer espécie de respeito pela humanidade.
Não nos pedia que executássemos tarefas, exigia-nos que as cumpríssemos, sem um ai. A coisa mais rocambolesca, que esse cavalheiro me pediu que fizesse, foi descobrir o dinheiro que os paraplégicos “chulavam ao Estado”!!!! Estou a citá-lo!

(qualquer semelhança com a realidade Não é coincidência!)
Educadamente mandei-o à fava, mas ainda tive que vê-lo nos meses que se seguiram a olhar-me de esguelha e a tentar lixar-me a vida. Entre este comportamento absolutamente selvático e os desgraçados dos leões atacarem um antílope porque têm fome....voto nos leões.
A maioria das criaturas são umas cabras umas para as outras, a menos que possam vir a usufruir de favores da(s) pessoa(s) em questão.
Jogos de interesse é esta a merda que move o mundo. Os participantes batem-se por estatutos, carros e telemóveis topo de gama e uma moradia “with a view”, e acham que estão cheios de objectivos na vida. Depois procriam como convém, trazem ao mundo as criancinhas aspirando que estas tripliquem o património de família, e, se estas depois forem umas malcriadas cheias de comportamentos desviantes a culpa é dos desgraçados dos professores (que na maioria sofrem de ‘stress’ pós traumático, depressões e esgotamentos nervosos). Como estamos em pleno advento e as máximas abundam vou buscar uma velhinha que ouvia dos meus avós: “A educação começa em casa!” ensinem as crianças a aplaudir, a enaltecer, a congratular-se com os sucessos dos outros. Matem o ditado que “ a galinha da vizinha é melhor que a minha”. Comam a galinha enquanto se pode comer galinha hummm..... com uma batatinha no forno.....é que a inveja, meus queridos amigos...nunca matou a fome a ninguém....

terça-feira, dezembro 06, 2005

quando a ruiva deu o grito do Ipiranga

Já não é preciso ir bater palmas a Badajoz...

Como sou do tempo da outra senhora e fui criada com velhos relhos....lembro-me das excursões que antigamente se faziam a Badajoz. A minha tia preferida trazia, entre outros tarecos, aqueles caramelos com pinhões "El Caserio" , bisnagas de queijo fundido e leite condensado "La lechera", uma Hola! com um ponto de exclamação virado ao contrário, que entusiasmava de tal maneira os menos clarividentes, que estes reclamavam que a revista se chamava iholla!

Se me desenrasco no espanhol devo-o à minha tia. Se sei responder a algumas perguntas sobre os trambolhões da realeza europeia, devo-lhe também essa "cultura ancestral". Só que, infelizmente, o autor alemão Dietrich Schwanitz no livro "Cultura, tudo o que é preciso saber" dedicou um capítulo inteiro a tudo aquilo que não é preciso saber. E fazia tábua rasa dessa leitura mal amada, que é a cor de rosa. Talvez haja espaço para a Azul. A minha definitivamente é dessa cor, mesmo que seja piroso como o raio!
Apesar de ainda não ter lido o livro, dei-lhe só uma lambidela "sem olhos de ler" fiquei mesmo muito triste pela a minha aculturação não corresponder aos requisitos universais de esquerda.

Mas quem me mandou a mim nascer no seio de uma família meia fascizóide?
podia ter dado o grito do Ipiranga e ter aproveitado os universos revolucionários das minhas vizinhas que na mesa de cabeceira tinham uma pilha de livros forrados a papel pardo de teor marxista-leninista.
Não foi nada bonito da minha parte, mas confesso que não tive coragem para lê-los, além disso poderia ter tido vários ataques de renite alérgica e não estive para isso!
O resultado está à vista.
Sou uma solteirona antiquada que só come cogumelos depois de ter a certeza que os mesmos não envenenaram ninguém, por isso só agora me rendi aos encantos da loja sueca IKEA.
Vi-os durante anos rumarem a Madrid em carrinhas de caixa aberta (chamam-se pick ups, não é?) e a chegarem cheios de pacotes, caixinhas e caixetas para um "do it yourself" nos seus lofts ultramodernos. (adoro a forma que as bocas das pessoas fazem quando dizem que têm um loft)
A última gota foi ter visto o "logotipo" da dita loja na Alemanha de Leste (em pleno beijo ao capitalismo) no filme "Goodbye Lenine". Na altura pensei, ora estes rapazes do "materialismo histórico" sabem mais a dormir que eu acordada.... mas isso era 'La Palissiano'.
Quando já estava preparadíssima para alugar a tal 'pick up' e ir aventurar-me por terras de 'nuestros hermanos' cai-me de pára-quedas um IKEA em Alfragide. Não preciso da Pick-up, não compro caramelos pelo caminho, nem bisnagas da "La Lechera" para a engorda, reduzo-me à minha insignificância, deixo as castanholas em casa e já não vou, como se fazia noutros tempos..."bater palmas a BADAJOZ!"

segunda-feira, dezembro 05, 2005

não percebo nada disto.

nem devia....sou do campo, dos alpes da Heidi e do Pedro....outras vezes não sou nada, nem de ninguém.

parapassaralimpo

Tenho medo do definitivo.
Aprendi nestes tempos que pode e deve-se riscar, apagar, suprimir...quem sabe até voltar a escrever por cima, por baixo, ao lado.... (Desde que se deixe tudo com um aspecto apresentável, sem manchas ou nódoas de manteiga....senão mandam-nos logo pregar para outra freguesia )
O sítio nem sequer é importante. O espaço nunca é importante desde que nos sintamos enquadrados....irónico não?
Distante do maravilhoso mundo economicista, onde as pessoas se comem vivas, literalmente, por causa de uma causa tão nobre como arranjar um trabalho, que não dê muito trabalho...

uma rapariga sem pretenções literárias (já as tive).....cria um buraquinho mental para não explodir. cada palavra vale o que vale. Cada frase podia ser outra...E todas elas davam parapassaralimpo!