quinta-feira, dezembro 15, 2005

Com o Credo na boca

É incrível mas de repente parece que nada disto dará frutos. Isto é exactamente aquilo que não se partilha. A insegurança.
Passam a vida inteira a dizer-nos para nos pormos direitos, para olharmos em frente. Sempre em frente. É quase um sinónimo de demência ser-se nostálgico. Se tentamos ser educados, somos uns betinhos, se formos simpáticos uns cínicos do raio. É por isso que a maioria das vezes, além de marreca, sou uma malcriada, ao menos depois ninguém exige que seja coisas piores
Ser honesto parece que quer dizer parvo. Se dissermos: “Aquele tipo é honesto” - alguém retorna - “ É, mas é um grande parvo! podia ter comprado um iate se tivesse aceite as luvas do outro.”
Também há-de haver o cagão que dirá: “Dizer honesto, é horrível, diga sincero, menina”.
(Estas regras da linguagem da "carneirada" do que se deve e não se deve dizer, também são de um provincianismo atroz, mas adiante. )

Ser-se inteligente é aceitar luvas (nos tempos que correm, talvez sejam mitenes), entrar pela porta do cavalo nas festas, pedir ao porteiro da festa que omita a parte Silva, e nos apresente como um parente afastado do antigo monarca de Timbuktu.
Ser-se inteligente é ir mais de 29 vezes ao Brasil. Usar uma fitinha do Bonfim e achar que esta é um antivírus poderoso contra as patifarias que se andam a fazer, tais como: vender terrenos que não existem, aproveitar a boa fé dos velhinhos, roubar as esmolas dos outros usando-as em próprio benefício. Se continuasse com a lista não havia blog que chegasse.
Apesar de andar como as velhas com o Credo na boca, não hei-de ter medo. Era o que me faltava. Se fosse um bocadinho incomodativa até era bom, era sinal que não era tão transparente como me sinto. Além disso vivo no país da impunidade em que o diabo anda verdadeiramente à solta. E o pior é que ninguém o apanha!