quinta-feira, julho 08, 2010

Nem nos outros


O instinto de sobrevivência fez-me fechar a matraca.
O circo também não é nada inspirador. Muitos "macaqueamentos", diria o mestre Júlio Pomar.

Comi demais a T.V.
Ouvi demasiadas conversas sem interesse.
Fui cínica.
Fui hipócrita.
Sorri convenientemente.
Fui fraca.
Fui muda.
Até cega.
Poucas vezes surda.

Sonho ser daquelas velhas como a Barbara Cartland escrever muitos romances eróticos, vomitar estas histórias todas que ouvi. Injectar-lhes a graça que não tinham.

Sonho não ser como a Barbara Cartland, não tenho perfil para ser a avozinha madrasta da princesa do povo morta. Nem para ter caniches cheios de laços e não saber onde acaba o caniche e começa o meu corpo.

Não sei se chego a velha. Por isso é melhor dar corda aos sapatos. Ensaiar antes da festa, não venham os cancros, as algálias, o reumático e a rabugice.
A vida nem sempre é promissora, além disso não se deve confiar nem na virgem, nem nos outros.

Ai que bom estar de volta!