à bruta
Não quis que Beltrana me lesse. Tive vergonha. Isto era tudo um mundo só meu e ela ali a atazanar-me a vida. Aquela vida que vive entre as linhas de silêncio dos livros e que nao existe nunca nos artigos que escrevemos para ganhar sustento. Beltrano cortou-me a língua, Beltrana anuiu. O Escritor deu-me as palavras todas e ordenou que falasse sem ser em voz de falsete. Eu não saberia dizê-lo melhor. Nunca. Quis voltar aqui mesmo que não preste para Cicrano, para Beltrana ou para Cyrano de Bergerac. Um volvo das entranhas. As minhas palavras são estas...ladro em cima de coisas várias, quero ganir e o eco devolve-me o grito. São demasiadas palavras e eu estou tão no limiar do dicionário. Eles tão eloquentes. Os gatos com as suas garras, e de repente é noite cerrada e ninguém deu por nada.
Na rua vazia de estímulos.
Lá havia um livro cheio de perguntas.
Díficil à bruta.