terça-feira, novembro 06, 2007

Regresso ao Futuro

Por causa da infinita legião de fãs que tem chorado amargamente pelo silêncio da animada verborreia desta paginola decidi voltar. Voltar sem grandes obrigações literárias mas com vontade de emergir até ao mundo dos vivos.
Infelizmente a minha pobre cabeça ainda não aprendeu uma série de coisas especiais de corrida e, preguiçosa, evita aprender. Depois temos muletas. Há sempre um desgraçado qualquer à espreita que põe e tira vírgulas nos textos que escrevo. Não nestes, que são da catarse e cujo objectivo é lavar a alma com sabão azul e branco.
Se não me puser um freio, se pensar que estou a escrever diários como aconselhava aquele livro de Auto-ajuda sai tudo muito mais livremente, quero dizer, desamarrado das imposições sociais em que tropeçamos diariamente. Tenho que confessar que gosto disso. Gosto por exemplo de poder dizer que a Tracy Torn me fez muita falta no concerto dos Massive Attack. Já é praí o quarto concerto de Massive que assisto e nunca ouvi o "Better Things" ou o "Protection", mas não se pode ter tudo. Pelo menos não tenho que gramar com Il Divo ou com as Macarenas da vida.
Este regresso tem a ver com várias coisas:
1 Ter entrevistado um escritor premiado da minha idade e de perceber que podemos fugir da nossa própria cruz, mas que ela não foge de nós. Aguenta-se estoicamente à bronca.
2 Ver que estes exercícios podem salvar-me do degredo. A integridade física e moral tão apregoada pela progenitura.
3 Sentir que há milhares de histórias interessantíssimas (ou não) para serem aqui ou ali vomitadas.
4 Seguir o exemplo de Maria Amélia López, a avózinha galega de 95 anos que tem um blog, onde escreve sobre os seus passeios e o tempo do Franquismo. Não tenho o Franco, nem o Salazar muito presentes mas tenho as bestialidades da democracia e o autoritarismo bacoco de Sócrates. Algemem-me as mãos mas não me cortam a raiz ao pensamento, não é grande Zeca?
Gostei muito deste bocadinho, despeço-me com Amizade. Até mais!