Mary Chain
O rio chora tanto como o meu coração. Entrego-lhe as minhas mãos, o meu corpo, a minha alma. Parece que a corrente me puxa, me arranca e me dissolve em mais umas partículas de pó do universo.
Querias profundidade?
Aqui me tens vazia de autores, vestida de frases desconexas. Canso-me tanto desde o dia em que disseste que tinha que ser profunda. Viro-me do avesso para encontrar o verdadeiro autor daquilo apregoo. E para variar sinto-me encurralada qual Mary Chain sem Jesus, sem frutos ou filhos.
The inner voice.....parece que estou possuída, perdida, que evito que me ajudem, que rasgo o bilhete de volta. Carcaça de remos partidos. Sangue no coração. Laços que se quebram.
Ai como odeio profecias.
Nem sei lidar com elas, quero o dia comezinho, pão no queijo.
E tu queres à força obrigar-me a dar o salto!
Não vês que odeio teclar desta maneira abrupta como se quisesse matar as criaturas maldosas que fazem escavações no meu cérebro.
Não sei nada de bichos verdes gelatinosos, senhoras da água ou monstros horripilantes. Mas conheço a maldade,
muralha que inventei e que me defende das ratazanas e das hienas.
Como todas elas se riem de mim.
Como choro por elas.
E não consigo calar-me, calá-las ou admoestá-las.
Tinha que ser uma coisa sofrível. Parece de repente que nem tudo é fita ou cinema. Nada faz sentido. Seca, seca, sem filhos nem frutos. Como querias que compreendesse aquilo que já sabia. Gelei porque saiu doutra boca!
Com lágrimas, com choro no meio da corrida.
Farto-me de repetir:
Nada, nada é o fim do mundo.
E agora mesmo, é como se fosse. Está tudo escuro. É isso que querias?
Que visse mais uma vez as trevas?
Nem um bocadinho de luar?
Porque me manipulas desta forma absurda?
Páras e avanças a teu belo prazer sem que possa ter vontade própria. Incutiste-me o gigantismo para que à medida que fosse crescendo me sentisse mais liliputiana.
Por momentos dou-me às palavras, digo-as sem que te sirvas da minha cabeça. Vá lá dá-me por favor um bocado de mérito. Deixa-me gostar da buganvília violeta, ou seria lilás?
Do canto dos pássaros ( às cinco da manhã, quando, madrugadora, ainda os ouvia), deixa-me continuar a ter infância.
Disseste para parar de correr. Eu parei, fiz-te a vontade. Essa pelo menos. Lerei amanhã os livros que me atiraste para o colo.
É que apesar de não ser mística, quero acreditar no poder da cura.
Até porque as filosofias de vida são todas muito boas, sabem a beringela. Ou seja a nada mas queimam colesterol. (será que te matam a ti também?)
Se houver cura, estou moribunda.Devias dar a cara. Desde os meus dez anos que fazes esta merda. Apoderas-te da criaturinha (dantes de Deus também) e escreves, escreves que te desunhas através dela. No fundo sempre soube que era um fantoche nas tuas mãos. Neste momento tenho a certeza. Amanhã talvez não tenha. Hoje estou seca, tu é que mandas!
Querias profundidade?
Aqui me tens vazia de autores, vestida de frases desconexas. Canso-me tanto desde o dia em que disseste que tinha que ser profunda. Viro-me do avesso para encontrar o verdadeiro autor daquilo apregoo. E para variar sinto-me encurralada qual Mary Chain sem Jesus, sem frutos ou filhos.
The inner voice.....parece que estou possuída, perdida, que evito que me ajudem, que rasgo o bilhete de volta. Carcaça de remos partidos. Sangue no coração. Laços que se quebram.
Ai como odeio profecias.
Nem sei lidar com elas, quero o dia comezinho, pão no queijo.
E tu queres à força obrigar-me a dar o salto!
Não vês que odeio teclar desta maneira abrupta como se quisesse matar as criaturas maldosas que fazem escavações no meu cérebro.
Não sei nada de bichos verdes gelatinosos, senhoras da água ou monstros horripilantes. Mas conheço a maldade,
muralha que inventei e que me defende das ratazanas e das hienas.
Como todas elas se riem de mim.
Como choro por elas.
E não consigo calar-me, calá-las ou admoestá-las.
Tinha que ser uma coisa sofrível. Parece de repente que nem tudo é fita ou cinema. Nada faz sentido. Seca, seca, sem filhos nem frutos. Como querias que compreendesse aquilo que já sabia. Gelei porque saiu doutra boca!
Com lágrimas, com choro no meio da corrida.
Farto-me de repetir:
Nada, nada é o fim do mundo.
E agora mesmo, é como se fosse. Está tudo escuro. É isso que querias?
Que visse mais uma vez as trevas?
Nem um bocadinho de luar?
Porque me manipulas desta forma absurda?
Páras e avanças a teu belo prazer sem que possa ter vontade própria. Incutiste-me o gigantismo para que à medida que fosse crescendo me sentisse mais liliputiana.
Por momentos dou-me às palavras, digo-as sem que te sirvas da minha cabeça. Vá lá dá-me por favor um bocado de mérito. Deixa-me gostar da buganvília violeta, ou seria lilás?
Do canto dos pássaros ( às cinco da manhã, quando, madrugadora, ainda os ouvia), deixa-me continuar a ter infância.
Disseste para parar de correr. Eu parei, fiz-te a vontade. Essa pelo menos. Lerei amanhã os livros que me atiraste para o colo.
É que apesar de não ser mística, quero acreditar no poder da cura.
Até porque as filosofias de vida são todas muito boas, sabem a beringela. Ou seja a nada mas queimam colesterol. (será que te matam a ti também?)
Se houver cura, estou moribunda.Devias dar a cara. Desde os meus dez anos que fazes esta merda. Apoderas-te da criaturinha (dantes de Deus também) e escreves, escreves que te desunhas através dela. No fundo sempre soube que era um fantoche nas tuas mãos. Neste momento tenho a certeza. Amanhã talvez não tenha. Hoje estou seca, tu é que mandas!